Ambiente do Aluno

Posts made in maio, 2012

A escola que o jovem quer

Durante muitos anos consideramos que as grandes causas da evasão, na educação
básica, fossem somente os altos índices de reprovação e repetência e a necessidade de
abandonar os estudos para, precocemente, trabalhar.

De uns tempos para cá, embora essas causas persistam, e de modo preocupante,
somou-se a elas o desinteresse dos alunos, motivado por um ensino anacrônico, que não
responde aos interesses, às expectativas, às necessidades atuais da vida, da convivência, do
mercado de trabalho.

As escolas básicas, em sua maioria, continuam oferecendo um ensino voltado para a
transmissão de conteúdos, alguns sem qualquer interesse, que não agregam conhecimentos
significativos e que os alunos recebem, passivamente, pois muito pouco os ajudará quer no
prosseguimento dos estudos, quer no ingresso na força de trabalho.

Os professores, em grande parte, parece que não se aperceberam que o mundo
mudou, os jovens mudaram, as exigências do mundo do trabalho também mudaram e
prosseguem oferecendo um ensino que não acompanhou essas mudanças, que não responde
às expectativas não só dos alunos, como as do mercado de trabalho que os receberá, num
futuro não muito distante.

Li, outro dia, um texto da professora Simone André, coordenadora de educação
complementar do Instituto Ayrton Senna. Peço licença à professora para reproduzí-lo.

Diz ela:
“que os jovens têm quatro grandes desafios para fazer a transição do mundo da educação para
o mundo do trabalho. Eles terão que construir a própria identidade e seu projeto de vida;
aprender as formas de convívio e de participação social; lidar com as exigências do mercado de
trabalho; e ter resiliência, principalmente, os menos favorecidos, para aprender no ambiente
escolar”.

E a escola, que tem papel fundamental nessa aprendizagem não os está preparando
para responder a esses desafios.

Recente estudo realizado em parceria com as escolas públicas do ensino médio, em
São Paulo, identificou dois interesses básicos dos alunos: vontade de obter mais informações
sobre a continuidade dos estudos, após a conclusão da educação básica e sobre as
oportunidades e o ingresso no mercado de trabalho.

É impressionante constatar que, ao mesmo tempo em que a escola continua
oferecendo um ensino, como no passado, quando os interesses e as exigências eram outros, o
que é inaceitável diante da realidade de hoje, tenha deixado de fazer algo que fez, durante
décadas – orientação educacional e vocacional, exatamente o que os jovens esperam que elas
ofereçam para ajudá-los em sua caminhada escolar e profissional.

Para superar esta deficiência da escola e o desinteresse demonstrado pelos alunos é
necessário repensar os conteúdos e reformular as metodologias adotadas pelos professores, em
suas aulas, lembrando-se de que, além de conteúdos, a escola precisa formar jovens para
enfrentar desafios reais, e a aprendizagem para vencê-los tem que começar enquanto eles
estão frequentando as escolas de ensino fundamental.

É importante que as escolas desenvolvam, nos alunos, habilidades não cognitivas,
como capacidade de colaboração, comunicação, autonomia, perseverança; valores como moral,
ética, solidariedade, cidadania, respeito, liberdade, responsabilidade.

Para tornar nossa escola eficiente e com capacidade de manter o interesse dos alunos
é preciso que ela incorpore a experiência de outros espaços educativos, que ela leve em
consideração o saber construído por cada um, que conheça seus alunos, seus interesses, seu
ambiente familiar, sua história de vida.

Não podemos esquecer que o compromisso de oferecer uma educação que responda
aos interesses de hoje e aos desafios de amanha está, fundamentalmente, na mente e nas
mãos do educador.

Há muitos aspectos que os professores não podem esquecer e que, aqui, enumero
alguns: os alunos têm tempos diferentes para aprender, mas todos têm capacidade de
aprender. O dever do professor é conhecer e respeitar o tempo de cada um; estimular a
autoestima, manter a crença do aluno em sua capacidade de aprender.

É preciso que os professores transformem a sala de aula no local privilegiado, no
espaço social estimulador, na arena para o confronto construtivo de ideias entre professor e
alunos, entre alunos e alunos; no espaço mágico em que dúvidas e certezas se cruzam.

É preciso que o professor faça da sala de aula o local para a troca de conhecimentos,
de experiências, de vivências, onde todos são aprendizes, onde se pratica o jogo do saber.
E é preciso que as escolas voltem a oferecer, aos alunos, informações teóricas e
práticas referentes ao prosseguimento de seus estudos e descerre a cortina para que eles
possam conhecer as exigências e as oportunidades do mercado de trabalho, as características
das várias profissões e ocupações, para que nossos jovens se preparem, primeiro, para a
escolha e, depois, que adquiram os atributos e habilidades, além das competências e
conhecimentos para facilitar sua travessia da educação básica para o ensino superior; para
ajudá-los na travessia do mundo da educação para o mundo do trabalho.

Terezinha Saraiva
Educadora
Leia mais

Conheça

Conheça Plurimus Cultura e Desenvolvimento em Revista (ISSN 2238-1953), publicação eletrônica semestral, com recorte editorial em gestão, educação, história, cultura, sustentabilidade, cidadania e desenvolvimento local. Para mais informações acesse www.plurimus.com.br

Leia mais