Ambiente do Aluno

Posts made in junho, 2012

Papel da Educação

A educação é um processo contínuo que possibilita aos indivíduos alcançarem a plenitude de suas potencialidades, ao longo da vida.

A ação educativa tem como principio básico a formação integral, harmoniosa dos indivíduos,  e como um de seus objetivos, o desenvolvimento do espírito reflexivo da criança e do jovem, preparando-os para a construção da consciência crítica do adulto, para que ele aprenda a ser, a conviver na sociedade como sujeito consciente, participativo, sabendo discernir o bem do mal, aplaudir o correto e abominar e repudiar o incorreto.

Num tempo que já vai longe, competia à família a educação de seus filhos e à escola, o ensinar. Completavam-se.

Hoje, a educação passou a ser exercida por vários agentes, por vários meios, em vários espaços, onde avulta o papel da escola.

Agigantou-se sua responsabilidade, ao ser tornar um espaço educativo, abrangendo a educação e o ensino. E isto ocorreu à proporção que as famílias, muitas delas, declinaram do dever de educar seus filhos.

Por esta razão, a par de ser responsável pelo processo de ensino e de aprendizagem de conteúdos cognitivos, sobretudo em se tratando de crianças e adolescentes, a escola assumiu a  atribuição de formar o cidadão, construindo com ele não só conhecimentos, competências e habilidades, mas a escala de valores, onde avultam a moral e a ética , que vai servir de farol, iluminando sua caminhada.

Vivemos numa época que perturba, de certo modo, a consolidação da consciência crítica do homem . Vivemos bombardeados pelos  acontecimentos, pela quantidade e variedade de  informações, sem ter tempo para refletir sobre eles e elas, analisando-os.

Aprendemos a chamada “cultura de mosaico”, fluida e inconsistente, que pouco ajuda a formar a consciência crítica das crianças, dos jovens e, mesmo, dos adultos.

Somos afetados pela avalanche de informações que, muitas vezes, nos levam a julgamentos apressados, por não terem passado pelo crivo da reflexão e da crítica.

Diante desta evidência e pelo fato da família não estar cumprindo seu dever, ampliou-se o papel da escola e dos professores, que acrescentaram às funções de ser espaço e mediadores da construção do conhecimento e do exercício da socialização, a de ser local e agentes privilegiados para educar, integralmente, as crianças e os jovens, preparando-os para viver num mundo e numa sociedade inquietantes, desafiadores, excludentes, marcados por constantes mudanças, por novos paradigmas, por frequentes exigências, por obstáculos a serem transpostos; mundo e sociedade marcados pelas injustas discriminações, desigualdades, pelas injustiças.

Diante desta constatação é importante que os professores exerçam sua função de educadores, que preservem sua consciência crítica para melhor formar sua visão de mundo, de modo a orientar seus alunos para a busca de caminhos certos e seguros, na travessia desta desafiadora aventura a que chamamos vida, para a qual o conhecimento, os valores morais e éticos e o discernimento são fundamentais.

Somente proporcionando aos alunos a vivência, o sentido de procurar conhecer bem cada fato, de poder analisar comportamentos, de refletir sobre possíveis causas e consequências,  de decidir sobre a melhor maneira de agir, é que os professores estarão levando seus alunos a desenvolverem seu espírito critico.

Dificilmente alguém alcançará realização como pessoa ou profissional, se não tiver formado espírito critico sobre si mesmo, sobre a realidade que o cerca, permitindo-lhe a formação de conceitos seguros, válidos no presente e no futuro, como ponto de referência, porque resultantes  de um espírito crítico bem formado, de uma consciência lúcida.

Esse é o caminho. Um caminho difícil como todo e qualquer caminho que conduz a um ideal. Difícil, mas não inatingível. Um caminho que amplia a importância da escola, que acrescenta ao papel que o professor tem como orientador e mediador da aprendizagem, o de promotor da educação de seus alunos, consciente da importância de seu papel na formação integral do homem, na construção de uma sociedade justa, esclarecida, que demonstre seu repúdio a fatos e a comportamentos pessoais que chegam ao nosso conhecimento, pela função esclarecedora exercida pela imprensa.

Como ficar impassível diante da fotografia exposta na primeira página de um jornal de grande circulação, em que riem da sociedade um contraventor e um advogado de renome, que já foi Ministro da  Justiça e que não se envergonha de aceitar a defesa de um corrupto notório?

Diante desta afronta e de tantas outras que, lamentavelmente, temos assistido como espectadores passivos, é que se torna imperioso desenvolver em nossos alunos o espírito reflexivo, a análise  isenta e a consciência crítica para que saibam demonstrar, publicamente, seu repúdio a atos que, por sua amoralidade, envergonham uma nação, enodoam  a imagem de um país.

 

Terezinha Saraiva

Educadora

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O Dia do Profissional de RH

O dia 3 de junho é a data comemorativa do profissional de RH em todo o mundo.
A data nos estimula a escapar de comemorações laudatórias do tipo oba-oba, tão peculiares na espécie, para emitirmos mais um grito de alerta contra a crescente deterioração das relações de trabalho constatada no cotidiano das organizações em geral.

Vivemos o apogeu do humanismo empresarial, exaltam todos!

O colaborador se transformou numa espécie de empregador de si mesmo. Ele é o novo empreendedor, mesmo quando claramente mantenha vínculos empregatícios, subordinação definida, jornada de trabalho com horários estabelecidos, e, mais do que tudo, dependência econômica.

A sua opção existencial não é pela assunção do risco da atividade empresarial autóctone. Mas o contexto do empreendedorismo corporativo o impulsiona ao desempenho dos mesmos papéis e funções, vivendo em plenitude as circunstâncias de um empresário propriamente dito.

Pior ainda: não briga pelo seu negócio, mas pelo negócio dos outros. Mas o tem que fazer como se fora o seu próprio.

Quando fracassa, o empresário costuma ir à falência como pessoa jurídica, mas nem sempre como pessoa física. Às vezes fica até mais rico.

Já o empreendedor-empregado inelutavelmente passa a integrar a lista dos desempregados de um headhunter, numa busca ansiosa por recolocação pelo menos próxima ou similar a que detinha antes. O que nem sempre acontece. O mais das vezes, tem de engolir um decesso profissional, com as repercussões evidentes em sua vida.

Os dramas existenciais, que vão de depressões, frustrações e crises, até suicídios, como a imprensa internacional tem veiculado em números alarmantes, inicialmente apenas nas macro corporações francesas para pouco a pouco se espalharem generalizadamente, são as conseqüências das novas formas de organização do trabalho praticadas nestes primeiros anos do Século XXI. O profissional de RH tem responsabilidade direta na construção deste contexto de circunstâncias dramáticas. Precisa assumir o seu protagonismo no redirecionamento de trajetória tão deletéria.

As relações de trabalho já não mais se orientam pela antiga lógica que impelia os sindicatos à luta pela redução da jornada de trabalho, pelo aumento de salários e dos ganhos de produtividade e, somente subsidiariamente, pela melhoria das condições de trabalho.

Foram essas as condições predominantes que ensejaram o desenvolvimento da economia de mercado, o crescimento econômico-social e a sociedade de consumo.

Antes, a realização humana não se restringia ao trabalho em si, mas se expandia preponderantemente na família e nas distintas formas de relações comunitárias (clubes, associações, sindicatos, igrejas, vizinhanças, moradores, parentes), tudo assegurado e propiciado pelo acesso financeiro regular a que os assalariados dispunham através de vínculos empregatícios estáveis, quase permanentes.
As novas formas de organização do trabalho são agora inteiramente diferentes, nada têm mais a ver com esse passado ainda recente.

Não são os problemas pessoais não tratados dos empregados que os levam a atos de desespero e à depressão nos ambientes de trabalho.

Esses atos são a resposta dilacerante de empregados, ditos colaboradores e empreendedores, que sucumbem no cotidiano de uma realidade de trabalho que lhes é totalmente adversa. São as conseqüências da organização e da implementação de processos de trabalho que violam a natureza humana. São a expressão de revolta e de impotência ante uma situação inflexível e intransponível, em que não se vislumbram condições objetivas de escapar ou de, pelo menos, atenuar.

Aquele colaborador que se suicida nos convoca para ver o que é visível, mas não é visto no mundo das organizações. Estamos crescentemente produzindo sobreviventes, mortos-vivos ou zumbis no cotidiano de nossas organizações, e nem nos damos conta disso. É claro, os reiterados casos de suicídio nos escandalizam!

Nunca se exaltou tanto “o trabalho em equipe”, “o vestir a camisa”, “o ter o espírito de grupo”, mas as avaliações individualizadas de desempenho e de cumprimento de metas e de resultados produzem o dilaceramento psicológico e moral do empregado-empreendedor como pessoa.

O empregado transforma-se na prática no empregador de si mesmo. Os trabalhadores já não têm razões para se contraporem ao capital. Se o assalariado é transformado em seu próprio empregador, não há o que falar em luta de classes, na contradição entre salário e lucro, em mais valia, ou nos interesses antagônicos dos patrões e dos empregados.

A luta de classe se transfere para o interior do indivíduo, invade a individualidade do colaborador, absorve a sua psique. Dilacera o indivíduo como pessoa.
É claro, o capital e o trabalho continuam plenamente presentes, mas o conflito entre ambos se transfere artificialmente para o interior do indivíduo.
Antes o conflito social era regulado pelas negociações e acordos coletivos produzidos entre as representações patronais e os sindicatos dos trabalhadores, pelo respeito à legislação trabalhista e previdenciária, e pela intermediação direta do Estado através da justiça do trabalho.

Hoje a responsabilidade pela administração desse conflito irreconciliável se dá dentro de cada indivíduo, empregado e simultaneamente empreendedor, colaborador e subordinado, cada vez mais submetido às cobranças de desempenho e à execução de metas e de resultados.

O suicídio é o ato derradeiro de libertação de muitos que, ao fracassarem, não suportam mais a submissão às estratégias sutis de exploração humana praticadas hoje no mundo do trabalho sob a fachada soi-disant do empreendedorismo corporativo, a nova resposta capitalista ao problema da luta de classes, o dernier-cri da ideologia instrumental a serviço da aristocracia financeira detentora massiva do capital majoritário das organizações.

 

wagners@attglobal.net
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