Ambiente do Aluno

A idade da razão

Sim, houve uma prorrogação geral, um terceiro tempo, que está sendo bem desfrutado. Os na jovialidade dos 50/60 anos, os jovens que administram a carreira desde empresas juniores, os que anseiam por segurança, mulheres que predominam em certas profissões, casais de duplo salário e os que vivem só encabeçam as novas tribos, com estilos de vida e trabalho próprios.

Quantos de nós – homens e mulheres, com 60 anos – pretendem parar de trabalhar? Hoje, os na jovialidade dos 60 anos estão próximos aos 25 milhões, amanhã 30 ou mais, que se continuarem trabalhando adeus crise previdenciária. A maioria viverá até os 85 anos e volta a se perguntar, agora aos 60, tal qual fizeram aos 20 e aos 40, como se programar para mais 20 de vida prazerosa, profícua e remunerada, símbolo de proficiência e vigor.

Eis que fazem, vale repetir, planos para estenderem a permanência – capacitados em saber e experientes -, organizando e reprogramando seus conhecimentos. Usam a internet e leem seus jornais impressos por mais 20 anos. Não há procedimento padrão, o sintetizar é isso ou aquilo.

No entanto, as academias de ginástica e de ensino, o comércio e o setor de entretenimento precisam ajustar horários aos que requerem ainda com disposição de jovens. A publicidade precisa saber onde encontrá-los, pois não estão somente na praia ou saçaricando. Sabem que a ociosidade é um risco.

As empresas perceberam as novas tribos e produzem também produtos desenhados para o consumo de uma só pessoa. Em Nova York, quase 50% dos consumidores moram sozinhos e compram para si mesmos. Assim, mudam embalagem, qualidade e preços dos produtos. Configura-se um seleto grupo de interesse. Estamos de pé atrás com boa parte dos analistas, os descuidados e apressados, apenas voltados para o macro, que não perceberam as mudanças e davam como favas contadas o perecimento da mídia impressa, dos livros, cinemas e teatros. Não identificaram que a população ultrapassa com folga e garbosamente a marca dos 60 anos. A balzaquiana de 30 anos ontem tem 50 anos ou mais hoje.

Recentemente, ofereceram algumas indicações para que o país aproveite o pós-crise: pré-sal; carro elétrico; bioenergia; biotecnologia… e nenhuma palavra acerca do capital humano, sobre investimentos maciços em educação. Outra vez, não ouviram a sirene.
Por termos esgotado o estoque de insanidade com os milagres e planos, precisamos de mão de obra qualificada e experiente para orientar os jovens à concepção e ao empreendedorismo, servir de exemplo e fortalecer o mercado interno. Enfim, cerzir com seriedade e competência um país harmônico.

Fonte: Publicado em O Globo, 08/04/2010, em O Globo, pag.07 e On line às 16h11m (OPINIÃO) e Agência SEBRAE