Ambiente do Aluno

A nova estrutura familiar brasileira

Os Censos Demográficos realizados pelo IBGE constituem-se em possantes máquinas
fotográficas que revelam, em tamanho ampliado, os vários retratos do Brasil, permitindo-nos
conhecer melhor nosso país.
Na última semana de agosto, a fotografia revelada foi a composição da atual família
brasileira.
Nasci e vivi minha infância numa família constituída por três gerações, vivendo sob o
mesmo teto, harmoniosa e amorosamente: meus avós, meus pais, meus tios casados, minhas
tias solteiras e nós, os oito netos. Éramos 20 pessoas. Os homens trabalhavam e as mulheres
dedicavam-se à gerência da casa e à educação das crianças. Na minha família só havia,
inicialmente, uma mulher que trabalhava fora, minha mãe, que era professora. Muitos anos
depois, três de minhas tias solteiras foram trabalhar fora.
Lembro-me até hoje, embora muitas décadas tenham se passado, da enorme sala de
jantar, com uma grande mesa retangular onde se sentavam 12 adultos, para as refeições e
para as prolongadas  conversas, e uma mesa oval,  onde se sentavam as oito crianças  e
adolescentes – os netos.
Vivi uma infância tranquila numa família nuclear unida.
Minha adolescência e juventude já foi passada numa família constituída por meus pais,
ambos trabalhando e contribuindo para o sustento da família, meu irmão e eu.
Todos os domingos nos reuníamos à família inicial, na enorme casa da rua do Bispo,
hoje integrando o espaço físico ocupado pela Universidade Estácio de Sá, em inesquecíveis
almoços e ceias.
A família brasileira mudou.
O  Censo  de  2010 mostrou  que,  hoje,  os  casais  sem  filhos,  as  pessoas morando
sozinhas, famílias homoafetivas, mães sozinhas com filhos, pais sozinhos com filhos, amigos
morando juntos, netos morando com avós, famílias mosaico, constituem a maioria, formando
19 laços de parentesco.
A formação clássica, casal com filhos, deixou de predominar. Segundo dados do IBGE
representam, em 2010, 49,9%. Há 30 anos atrás, eram 75%.

Terezinha Saraiva
Educadora