Ambiente do Aluno

Consultoria: da importância do Diagnóstico

Luiz Affonso Romano

A comparaçãoentre uma empresa com problemas internos e uma pessoa que, em seu estado atualde saúde, apresente sintomas de doença tem, muitas vezes, levado os estudiososem Administração a usarem a palavra diagnóstico para que se compreenda com maisexatidão, no sentido administrativo, conceitos de consulta médica, examespreliminares, avaliação dos resultados, identificação da doença; também, domomento e de como informá-la ao paciente, e de prescrever e acompanhar otratamento, até à cura. Realmente, este é um bom modelo.

Conhecer oproblema real do Cliente (estado de saúde atual do paciente) – por meio dodiagnóstico – é, como você já sabe, o objeto da 1ª reunião Consultor- Cliente.Nela, ambos deverão reconhecer a situação atual da Empresa e concluir sobre oonde e o como devem chegar para reduzir ou eliminar o problema pré-existente. Atécnica aconselhada é a de ouvir o cliente com máxima atenção e formularperguntas que o levem à reflexão, a trazer dados e informações precisas para osdois – Consultor e Cliente – conhecerem perfeitamente o tamanho do problema(diagnóstico, a fase mais importante da Consultoria) e identificar, a partir desua dimensão, suas correlações no ambiente organizacional. Portanto, semconhecer o real problema (a doença), será muito difícil aplicar metodologia eintervenção corretas.

De formaanáloga à da saúde dos seres vivos, o diagnóstico, no caso das empresas, requerconsultores experientes ou consultas a eles. Há os que se dedicam somente aodiagnóstico e, neste sentido, assemelham-se aos fisiologistas e a muitosclínicos gerais, que sabem ser a doença um processo sistêmico: os sintomaspodem ser muitos, diversificados e aparentemente em pontos afastados uns dosoutros. Porém,assim como no organismo- empresa, os sintomas de uma mesmaanomalia organizacional podem se espalhar pela estrutura, gerando, em sua maiorcomplexidade, uma situação crítica, que seria reconhecida como a situação atualda Empresa que deve ser alterada por meio de ações corretivas. Médicos, naSaúde e Consultores nas empresas devem, por este motivo, cultivar visãoholística do todo nas empresas ou nos organismos aos quais se dedicam apreservar a vida.

Todos játivemos oportunidade de acompanhar, em nossas vidas, ou em filmes, a forma comoos bons médicos se envolvem no tratamento, com “seus“ pacientes, de moda a quedesta sinergia surja uma “cumplicidade” que os fazem autores e coautores dacura. A comparação com a atividade de Consultoria demonstra-se ser muitocompleta no exemplo de solidariedade, com os mesmos espíritos de “cumplicidade”e “coautoria” que devem nascer desde o primeiro contato com o Cliente. Trazendoo Cliente para a coautoria desde o início, desenvolvem-se, avaliam-se eescolhem-se alternativas, e implantando-as, garante-se, por fim, o bom êxito daConsultoria.

Originalmente publicado no Ouvimos por aí, nº27, Nov 2012

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A última turma de Desenvolvimento de Consultores foi um sucesso!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O IARJ Instituto de Administração do Rio de Janeiro em parceria com Jacobsen e Romano formaram mais uma turma neste sábado, dia 20 de outubro de 2012

Em cada módulo, do programa, os alunos participaram de forma efetiva, por prática e consistente, da discussão e vivenciaram casos, em grupo, entre outros, propondo soluções às situações apresentadas, definiram o real problema, discutiram os estágios das mudanças, analisaram os instrumentos básicos e especiais para o diagnóstico, as etapas da consultoria, as metodologias, tendências e mercado, network, como encontrar e ser encontrado, o distanciamento crítico e o posicionamento do Consultor, o marketing, o passo a passo da venda, a ética do consultor e também do contratante e planejamento de vida e carreira.

Agora, em apoio à atividade profissional de Consultoria, no pós curso- Laboratório de Consultoria- os consultores Luiz Affonso Romano e Paulo Jacobsen darão aos alunos aconselhamento didático, por três meses, desfazendo dúvidas e oferecendo sugestões.

Bem-vindos à Consultoria.
Próximo Curso no Rio: dias 24, 25 e 26 de janeiro de 2013

 

Depoimentos:

Um passeio/estudo maravilhoso,foi o que vivenciei,considerando um grupo de pessoas de várias idades e profissões,todas com um mesmo objetivo,aprender a aprender mais.

A percepção que tive sobre os Professores foi, que verdadeiramente eles sentem prazer em passar o que sabem, senti que passaram suas experiências com humildade e segurança,uns mestres.

MAIOR LIÇÃO: NÃO TEM IDADE PARA SE REINVENTAR E RECOMEÇAR.

Um grande abraço,
ELVES GOMES GAVIOLI – RS
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EXPERIÊNCIA FANTÁSTICA, DUAS FERAS EM CONSULTORIA, SUAS MENSAGENS FICARÃO PARA SEMPRE NOS MEUS DIAS,
PROF. ROMANO E PROF. JACOBSEN MUITO OBRIGADO POR TER VIVIDO COM VCS TAL EXPERIÊNCIA.
UM GR ABRAÇO
OTAVIO LEMOS CONSULTORIA

 

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Caros Paulo e Romano,

obrigado por esses 3 dias em que pude aprender com tantas histórias de sucesso e experiência de vocês.

Sem dúvida os conhecimentos adquiridos serão de enorme importância nesse novo caminho que escolhi trilhar.

Grande abraço,

Vicente Maia

Consultor de Varejo

 

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Experiência inenarrável, inspiradora, motivadora, reflexiva. Contribuição marcante na vida de todos nós que participamos na medida que tivemos uma visão holística de temas profissionais e sociais, que certamente são pertinentes a todos nós. Houve total identificação com as temáticas apresentadas e atividades proposta. Os olhares brilharam … Tudo com a maior experiência e didática de dois mestres da consultoria e seres humanos brilhantes ! Uma ótima experiência e um bom desabafo intelectual.

Forte abraço,
Muitíssimo obrigado,
Lucas Cunha
IARJ

 

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Tive o grande prazer de participar do curso no Rio de Janeiro.

Romano e Jacobsen brindaram, a todos nós, com uma excelente aula que uniu teoria e prática, o que tornou o curso ainda melhor.

Além dos excelente professores, nossos colegas de turma trouxeram suas experiências para sala de aula o que foi muito enriquecedor.

Agradeço aos nossos mestres Romano e Jacobsen por terem nos possibilitado enxergar diversas oportunidades de lugares para apoiarmos a nossa escada profissional,

Agradeço também aos colegas, pelas novas amizades que formamos e futuras parcerias que poderemos formar.

Um forte abraço logístico,

Hélio Meirim

http://www.hrmlogistica.com.br

http://www.hrmlogistica.wordpress.com

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A nova estrutura familiar brasileira

Os Censos Demográficos realizados pelo IBGE constituem-se em possantes máquinas
fotográficas que revelam, em tamanho ampliado, os vários retratos do Brasil, permitindo-nos
conhecer melhor nosso país.
Na última semana de agosto, a fotografia revelada foi a composição da atual família
brasileira.
Nasci e vivi minha infância numa família constituída por três gerações, vivendo sob o
mesmo teto, harmoniosa e amorosamente: meus avós, meus pais, meus tios casados, minhas
tias solteiras e nós, os oito netos. Éramos 20 pessoas. Os homens trabalhavam e as mulheres
dedicavam-se à gerência da casa e à educação das crianças. Na minha família só havia,
inicialmente, uma mulher que trabalhava fora, minha mãe, que era professora. Muitos anos
depois, três de minhas tias solteiras foram trabalhar fora.
Lembro-me até hoje, embora muitas décadas tenham se passado, da enorme sala de
jantar, com uma grande mesa retangular onde se sentavam 12 adultos, para as refeições e
para as prolongadas  conversas, e uma mesa oval,  onde se sentavam as oito crianças  e
adolescentes – os netos.
Vivi uma infância tranquila numa família nuclear unida.
Minha adolescência e juventude já foi passada numa família constituída por meus pais,
ambos trabalhando e contribuindo para o sustento da família, meu irmão e eu.
Todos os domingos nos reuníamos à família inicial, na enorme casa da rua do Bispo,
hoje integrando o espaço físico ocupado pela Universidade Estácio de Sá, em inesquecíveis
almoços e ceias.
A família brasileira mudou.
O  Censo  de  2010 mostrou  que,  hoje,  os  casais  sem  filhos,  as  pessoas morando
sozinhas, famílias homoafetivas, mães sozinhas com filhos, pais sozinhos com filhos, amigos
morando juntos, netos morando com avós, famílias mosaico, constituem a maioria, formando
19 laços de parentesco.
A formação clássica, casal com filhos, deixou de predominar. Segundo dados do IBGE
representam, em 2010, 49,9%. Há 30 anos atrás, eram 75%.

Terezinha Saraiva
Educadora
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Os desafios da Alfabetização no Brasil

A erradicação do analfabetismo, a partir de 15 anos de idade, no mundo e no Brasil
constitui-se num desafio secular.
Em 1990, as principais agências de desenvolvimento e 155 governos fizeram soar o
sinal de alarme na Conferência realizada em Jomtien, na Tailândia.
Um compromisso internacional foi assumido: garantir o acesso universal das crianças e
adolescentes à etapa da educação obrigatória, e reduzir a taxa de analfabetismo dos jovens e
adultos à metade do nível atingido em 1990.
Dez anos depois, em Dacar, no Senegal, a comunidade internacional, de cabeça baixa,
teve que encarar o fato de que o mundo ainda convivia com uma triste realidade, apesar dos
esforços para cumprir o programa Educação para Todos, lançado em 1990: 130 milhões de
crianças ainda não frequentavam a escola e 872 milhões de jovens e adultos eram analfabetos.
Embora os índices de analfabetismo da população de 15 anos e mais tivessem baixado,
o número absoluto de analfabetos aumentara. Em 2000, os 872 milhões significavam menos de
26%  da  população  mundial  adulta  analfabeta.  Em  1950,  700  milhões  de  analfabetos
representavam 44% da população mundial.
No Brasil, as estatísticas mostram o mesmo quadro: ao longo dos anos, os índices vêm
baixando, embora os números absolutos continuem crescendo. É importante registrar que, a
partir do final do século XX, os números absolutos começam a declinar. Tomemos 1990 e 2000
como referência, apresentando os índices e o número de analfabetos. Em 1990, o índice era
20,1%, que representava 19.233.000 analfabetos. O Censo de 2000 aponta um índice de
14,7% com número absoluto de 16.000.000. O Censo de 2010 revela um índice de 9,6%, o que
representa quase 14 milhões de analfabetos.
Este  decréscimo  é  resultado  da  expansão  das  matrículas  no  ensino  fundamental
verificada a partir das três últimas décadas e, sobretudo, da quase universalização desta etapa
da escolaridade, a partir de 1997, e dos movimentos e programas de alfabetização de jovens e
adultos desenvolvidos no país.
Pode-se  confirmar  esta  assertiva,  quando  se  constata  que  os  índices  maiores  de
analfabetismo estão nas faixas etárias mais velhas. Dados disponíveis mostram que na faixa
etária de 15 a 19 anos, como efeito de universalização o índice é o menor – 5,7%; no grupo de
Terezinha Saraiva
Educadora
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Dois visionários

Sexta feira, à noite, fui assistir ao belo musical “Milton Nascimento: nada será como
antes”, com um elenco extraordinário e com direção primorosa de Cláudio Botelho e Charles
Möeller.
Moro no Grajaú e o teatro NET-Rio fica em Copacabana. O trânsito, como de costume,
estava caótico, embora já fossem oito da noite. Mas era uma sexta feira, dia de tráfego pesado.
Evitando o congestionamento da Radial Oeste, conseguimos chegar ao Túnel Rebouças,
e aí, em minutos, estávamos na Lagoa. Mesmo neste espaço pequeno de tempo, perguntei-me
o que seria do trânsito carioca, atualmente, se não existisse o Túnel Rebouças, para quem vem
da zona norte e deseja chegar à zona sul.
Um caos, seguramente. E então, como um raio que, em segundos, corta o céu, outro
questionamento surge. Será que a população que não viveu no Rio, em meados da década de
60, porque não havia nascido ou era criança à época, sabe a quem se deve este Túnel?
Como sei que a memória dos homens nem sempre guarda o que ocorreu, e como sei
que nem sempre os mais velhos transmitem, aos jovens, os fatos que mudaram a feição de
uma cidade, de um estado, de um país e até do mundo, fazendo cair no esquecimento,
injustamente,  nomes  de  pessoas  que  marcaram  o  tempo  que  lhes  foi dado  viver,  pelas
realizações  que  beneficiaram  milhares,  milhões  de  pessoas  e  que  ainda  beneficiam,
independente do tempo decorrido, resolvi, neste artigo, dirigir-me aos jovens de hoje e aos
adultos que já se esqueceram, para contar-lhes e relembrar-lhes a quem devem, na atual
cidade do Rio de Janeiro, antigo estado da Guanabara, entre tantos benefícios na área da
educação, da saúde, da habitação, da administração, do saneamento, da cultura, das obras
públicas,  a construção  entre  outros  túneis,  que  facilitaram  o  acesso,  o  trânsito,  o Túnel
Rebouças que em menos de 20 minutos transportou-me, na sexta-feira à noite, da zona norte à
zona sul.
Dois nomes devem ser resgatados, ao se falar do Túnel André Rebouças: Carlos Lacerda
e Marcos Tamoyo - Governador da Guanabara e Secretário Estadual de Obras, que comandou
sua construção.
Carlos Lacerda foi o primeiro governador eleito do estado da Guanabara, um pequeno
estado com 1.170 km² de encantos; 400 km² de baía salpicada de ilhas, com um litoral
pontilhado de golfos e angras; com rios, lagoas, florestas e montanhas, mas com uma grande e

Terezinha Saraiva
Educadora
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Resultado nacional desalentador no IDEB

O que é o IDEB? É o principal indicador da educação brasileira. Criado em 2007, pelo
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira — o INEP — avalia o
desempenho do sistema educacional do país, combinando dois fatores: o resultado obtido pelos
estudantes na prova Brasil e no SAEB, apontando a qualidade do ensino em Língua Portuguesa
e Matemática; e a taxa de aprovação, que aponta a eficiência do fluxo escolar.
No dia 14 de agosto, o INEP divulgou os resultados do IDEB 2011. Nos anos iniciais do
ensino fundamental, a meta estipulada para o Brasil, a ser atingida em 2011, era 4,6. Somando
os índices obtidos pelo ensino público e particular, o IDEB chegou a 5. Se examinarmos a
evolução do índice, separadamente, veremos que as escolas particulares atingiram, em 2011, o
índice de 6,5, e as escolas da rede pública 4,7.
Se compararmos o IDEB dos anos escolares iniciais do ensino fundamental, tomando
como referência 2007 e 2011 (4,2 e 5,0), concluímos que o crescimento, em quatro anos,
foi de 8 décimos, o que é muito pouco. Penso que, embora tenhamos melhorado, estamos
longe de uma comemoração.
Temos que considerar, ainda, que este resultado não levou em conta mais de 40% das
escolas, com os anos iniciais do ensino fundamental que tiveram notas muito baixas no IDEB
anterior (2009). Ficaram sem notas em 2011, por não conseguirem ultrapassar a metade da
média nacional de 2009. É de estranhar que essas escolas que receberam mais recursos para
melhorarem a performance do indicador não tenham sido avaliadas. Não se fica sabendo se os
recursos foram bem utilizados, se as escolas evoluíram no aprendizado. Concordo com a
diretora do movimento “Todos pela Educação”, Priscila Cruz, que diz que “não ter o IDEB
dessas escolas cria um campo perigoso de invisibilidade”.
Quando irão entender que a melhoria da nossa educação não depende só de mais
recursos?
Ainda em relação aos anos iniciais do ensino fundamental, os dados do SAEB mostram
que, em Língua Portuguesa, a evolução do desempenho que era, em 2005, de 172,3 atingiu
190,6, em 2011, e em Matemática, o desempenho evoluiu de 182,4, em 2005, para 209,6, em
2011.

Terezinha Saraiva
Educadora

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Educação, um direito fundamental

CONSTITUIÇÃO POLITICA DO IMPERIO DO BRASIL
De 25 DE MARÇO DE 1824
……………………………………………………………………………………………..
CARTA DE LEI
DE 25 DE Março de 1824
Manda Observar a Constituição Politica do Imperio, offerecida e jurada por Sua Majestade,
o IMPERADOR.
……………………………………………………………………………………………..
DOM PEDRO PRIMEIRO, POR GRAÇA DE DEUS, e Unanime Aclamação dos Povos,
Imperador Constitucional, e Defensor Perpetuo do Brazil: Fazemos saber a todos os Nossos
Subditos, que tendo-Nos requerido os Povos deste Imperio, juntos em Camaras, que Nós quanto
antes jurassemos e fizessemos jurar o Projeto de Constituição, que haviamos offerecido ás suas
observações para serem depois presentes á nova Assemblea Constituinte; mostrando o grande
desejo, que tinham, de que elle se observasse já como Constituição do Imperio, por lhes merecer
a mais plena approvação, e delle esperarem a sua individual , e geral felicidade Politica: Nós
juramos o sobredito Projeto para o observarmos e fazermos observar, como Constituição, que
d’ora em diante fica sendo deste Imperio; a qual é do theor seguinte:
……………………………………………………………………………………………..
XXXII – A Instrucção primaria é gratuita a todos os Cidadãos.

Este texto constitucional completou exatamente 188 anos. Quase dois séculos.
Embora as posteriores Constituições brasileiras tenham dedicado artigos e,
posteriormente, Capítulos à Educação; tenham mencionado o direito de todos à educação e o
dever da Família e do Estado em garantí-la; tenham determinado a faixa etária da
obrigatoriedade escolar; embora Decretos e, depois, as Leis que traçaram, a partir de 1961, as
Diretrizes e as Bases para a Educação Nacional tenham se constituído em bússola e compasso
para garantir educação a todos os brasileiros e tenham, gradativamente, ampliado o grau de
obrigatoriedade escolar, como o mínimo que todos os brasileiros têm direito, dados do último
Censo divulgado pelo IBGE mostram que, embora o problema seja maior nas regiões Norte e
Nordeste, nenhum estado conseguiu, até hoje, incluir todas as crianças de 6 a 14 anos, nas
escolas de ensino fundamental, o que representa 3% do total daquela faixa etária. Pode
parecer inexpressivo o percentual, mas o torna grave, quando se considera que representa
quase um milhão de crianças e adolescentes que ainda não tiveram garantido um de seus
direitos básicos.

Como a obrigatoriedade escolar foi estendida a toda a Educação Básica, há que se somar
àqueles 3%, as crianças de 4 e 5 anos e os jovens de 15 a 17 anos que passaram a fazer parte
da faixa etária da escolaridade obrigatória, chegando-se a 8% do total, o que representa 3,8
milhões de brasileiros fora da escola.

Os números do Censo revelam que 62% dessas crianças e adolescentes, de 6 a 14 anos,
que estão fora da escola, chegaram um dia a frequentá-la , mas a abandonaram.

Vejamos os percentuais dos que não estudam, por faixa etária, de acordo com os dados
do último Censo: 4 anos – 27,3%; 5 anos – 12,7%; 6 anos – 5,0%; 7 anos – 2,8%; 8 anos –
2,3%; 9 anos – 2,1%; 10 anos – 2,2%; 11 anos – 2,7%; 12 anos – 3,1%; 13 anos – 3,8%; 14
anos – 5,8%; 15 anos – 9,1%; 16 anos – 14,7%; 17 anos – 26,9%.

É de inteira justiça recordar que, embora a atribuição de oferecer educação infantil,
ensino fundamental e médio seja dos Estados e Municípios, a União, por meio do Ministério da
Educação, no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, e na administração do
Ministro Paulo Renato Souza tomaram medidas concretas para a universalização do ensino
fundamental. Se não conseguiram atingir 100% das crianças e adolescentes na faixa etária de
7 a 14 anos, chegaram a 97%. Criaram o FUNDEF, para ajudar estados e municípios a
cumprirem a obrigatoriedade escolar.

No governo do presidente Luis Inácio Lula da Silva, o FUNDEF foi transformado em
FUNDEB, estendendo o beneficio a toda a Educação Básica, uma vez que a educação infantil e
o ensino médio foram incluídos na obrigatoriedade escolar, e que deverão estar universalizados
até 2016.

Compete às Secretarias de Educação dos Estados e Municípios recensear a população em
idade escolar para o ensino fundamental e os jovens e adultos que a ele não tiveram acesso,
para oferecer-lhes a Educação de Jovens e Adultos; fazer a chamada pública para a matrícula;
zelar, junto aos pais, pela frequência à escola (artigo 5°, parágrafo 1°, incisos I, II, III, do
Título III da Lei 9394/96).

E isto não tem sido feito. Penso não cometer um engano, afirmando que o último Censo
escolar realizado por uma Secretaria de Educação, foi no município do Rio de Janeiro, em
setembro de 1975.

O Censo não foi, apenas, quantitativo. Levantou nome e endereço das crianças de 7 a 14
anos que não frequentavam a escola, e muitos outros dados que orientaram todas as ações da
Secretaria Municipal da Cidade do Rio de Janeiro.

O passo seguinte foi o Decreto do Prefeito, decretando a obrigatoriedade escolar, dos 7
aos 14 anos, elencando as sanções que os pais ou responsáveis teriam, se não cumprissem
com o dever de matricular seus filhos. A seguir, foi publicado, anualmente, o Edital da Chamada
da População Escolar, afixado não só nas escolas, mas nos meios de transporte e em locais de
grande afluência de público.

Foi criado o Serviço da Obrigatoriedade Escolar, no organograma da Secretaria. Cem
professoras foram preparadas para assumirem o cargo de Inspetoras da Obrigatoriedade
Escolar.

Os Distritos Educacionais, que eram 20, à época, que coordenaram o Serviço em suas
áreas, receberam as fichas dos que não estudavam e as Inspetoras da Obrigatoriedade Escolar
visitaram todos os domicílios, trazendo as crianças de 7 a 14 anos para as escolas,
matriculando-as. Quando foi cumprida esta etapa, as Inspetoras deram inicio a sua segunda
tarefa: visitar os domicílios das crianças que faltavam 5 dias seguidos às escolas, sem
justificativa. Com essas medidas, a Secretaria Municipal de Educação da Cidade do Rio de
Janeiro cumpriu a obrigatoriedade escolar e impediu a evasão escolar.

Só recordei este trabalho realizado, em 1975, na Cidade do Rio de Janeiro, para mostrar
que não é difícil cumprir o preceito da obrigatoriedade escolar e impedir que os matriculados
abandonem os estudos.

Conheço todo o Brasil. Sei que há municípios que apresentam dificuldades muito maiores
do que as existentes na Cidade do Rio de Janeiro e em outros municípios brasileiros
eminentemente urbanos, embora possuam outra ordem de dificuldades; mas estou certa de
que todos os municípios, tenham eles as características que tiverem, terão que encontrar a
solução para cumprir o preceito constitucional, garantindo um dos direitos básicos das crianças,
adolescentes e jovens previsto em todas as Constituições brasileiras: estudar.

 

 

Terezinha Saraiva
Educadora

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